Crítica: Enola Holmes 2
Enola Holmes 2 é um dos grandes acertos da Netflix nos últimos tempos. Divertido, com muita ação, empolgante e também inspirador.
Portanto, a aventura da jovem Enola consegue nos prender.
O filme baseia-se em uma série de livros da autora Nancy Springer denominados Os Mistérios de Enola Holmes, começando com O Caso do Marquês Desaparecido, adaptado pela Netflix em 2020.
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“O que importa é o seu caminho, Enola” (Eudoria Holmes)
Nesta segunda aventura, Enola abre sua própria agência de detetives.
Nos momentos em que Enola se sente insegura, as palavras de sua mãe vem em sua mente, lhe inspirando. Desse modo, estas lembranças a incentivam a seguir em frente. Sua mãe, Eudoria Holmes (interpretada por Helena Bonham Carter), é também uma defensora dos direitos das mulheres.
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Porém, é um momento bem difícil para Enola Holmes.
Ninguém a contrata, pois é uma mulher e muito jovem. Quando Enola está prestes a desistir, aparece uma menina em seu escritório buscando ajuda para descobrir o paradeiro de sua irmã, uma jovem operária chamada Sarah Chapman, empregada de uma fábrica de palitos de fósforo.

“Basta uma faísca para começar um incêndio”
Além das questões próprias de Enola para ter reconhecimento em uma época em que as mulheres não tinham voz, a personagem Sarah Chapman se destaca. Ao longo de todo o filme tentamos, juntamente com Enola, buscar indícios sobre a localização da moça. As pistas não são fáceis, várias vezes parece que o caminho certo para desvendar o mistério está próximo, mas então, voltamos para a estaca zero.
Na vida real, Sarah Chapman foi uma defensora das mulheres trabalhadoras. A verdadeira Sarah lutou pelo direito das mulheres que nesta época enfrentavam condições de trabalho exaustivas e que colocavam em risco sua saúde. As situações insalubres de trabalho colocadas no filme eram uma triste realidade daquela época.
Confiram o link no final deste artigo sobre a história real de Sarah Chapman.
Então, é interessante esta personagem estar na trama, pois só colabora para a jornada de Enola que tenta se destacar frente à uma sociedade em que as mulheres eram subestimadas.
Inclusive, após o final do filme, uma fotografia daquela época em que aparece a verdadeira Sarah Chapman é mostrada, como também, informações sobre a chamada The Match Girls’ Strike.
“Basta uma faísca para começar um incêndio”, esta frase aparece no final do filme fazendo alusão à luta das mulheres por condições melhores de trabalho.
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O solitário Sherlock Holmes
Sobre o personagem Sherlock Holmes (Henry Cavill), eu gosto da forma que o personagem é colocado. Sherlock é realmente coadjuvante na história, ou seja, em nenhum momento nota-se que a presença do detetive se torna maior que a protagonista.
O filme traz uma surpresa na cena pós-créditos que acredito ser um gancho para a próxima aventura de Enola. E essa cena tem a ver diretamente com Sherlock e seu modo de vida. Apesar de ser o mais conceituado dos detetives, a solidão marca a sua jornada. Existe um momento no filme que Enola aborda esse assunto e faz o irmão refletir a respeito.
Outro momento interessante, é que um dos grandes vilões do universo de Sherlock Holmes aparece neste filme. Uma grande surpresa!
Sobre o ritmo do filme
Sem dúvida, Millie Bobby Brown está muito bem como Enola. Millie, que já demonstrou seu potencial dramático na série Strangers Things, está muito a vontade no papel, construindo uma personagem cativante.
Destaco uma das cenas do baile em que ela se dirige ao espectador (quebra da quarta parede, um dos aspectos do filme). Se trata do momento em que ela fica abismada com tantas regras tolas sobre a participação das mulheres em um baile. É bem legal este momento, pois nós ficamos igualmente perplexos com tantas regras sociais que impediam, por exemplo, de uma mulher tentar conversar sozinha com algum homem. Esta regra só não se aplicava se eles estivessem dançando.
O filme nos prende, sem dúvida, como disse anteriormente. As cenas de ação, o figurino, os cenários, tudo está muito bem realizado. Só noto que, nas sequencias finais, a trama tem aquelas situações que a gente acredita que o filme irá finalizar e não finaliza, pois há uma surpresa e mais uma e depois outra. Então, considero que nesse ponto fica um pouco cansativo. Penso também que o filme poderia ter uma duração um pouco menor, talvez.
Tirando esses detalhes, o filme empolga, de verdade. E uma das sequencias mais fortes e emocionantes do filme é a união das mulheres lutando pelos seus direitos e marchando em protesto. Belíssima sequência. Comovente pensar na luta de tantas mulheres nesse período por condições de trabalho e que abriram espaço para outras mulheres. “Uma só voz”, como cita Enola no filme.
Acredito que Enola Holmes tem tudo para se tornar uma das grandes franquias desta década.
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Links:
Enola Holmes 2 | IMDB. Disponível em: <https://www.imdb.com/title/tt14641788/>
The Match Girls’ Strike | Sarah’s story. Disponível em: <https://phm.org.uk/blogposts/the-match-girls-strike/>

Publicado por Ana Aparecida R. Jares Pesquisadora sobre efeitos visuais no Cinema