Análise: Mestres do Universo, o filme do He-Man
Lembrança direta da infância: chegar em casa correndo da escola para assistir um dos meus desenhos favoritos da TV. Era um momento incrível vendo aquele mundo do planeta Etérnia e seus heróis, heroínas, vilões, animais falantes e outros seres míticos. A música entrava e então vinha o título “He-Man e os Mestres do Universo”.
Quando soube que estavam pra fazer um outro filme do He-Man, deu aquele receio do novo filme não ser fiel à obra original e ficar desinteressante. O primeiro filme que foi realizado, Mestres do Universo, de 1987, infelizmente tinha vários problemas. Mas, o maior deles, era ser um filme que fugiu muito da história da animação, seja na caracterização visual dos personagens como pela abordagem da história não se passar no planeta de He-Man, Etérnia e sim na Terra.
Já o filme de 2026, Mestres do Universo, dirigido por Travis Knight é outra abordagem. O diretor parece ser realmente fã da animação e soube contar a história de He-Man e os Mestres do Universo com o coração de um fã. Isso ficou muito nítido pra mim enquanto fã que sempre fui da animação original.

Diversão e emoção
Ao assistir o filme, saí do cinema com uma sensação tão boa, com o coração quentinho, como tempos não sentia ao ver um filme. Salas completamente lotadas e o público aplaudindo em algumas cenas, especialmente na da transformação, quando o herói grita a plenos pulmões: “Eu tenho a força!!” Fazia muito tempo que não sentia um clima desse em uma plateia no cinema. Foi emocionante e sempre é quando uma plateia aplaude uma obra.
Acima de tudo também, eu me diverti, como um bom filme deve ser.
Porém, há algo mais, uma sensação de conforto, a mesmíssima sensação de quando eu era criança. E lendo as opiniões sobre o filme na internet, a grande maioria do público também sentiu isso. Pelos relatos nas redes sociais, as pessoas vibraram na hora da transformação de Adam para He-Man. Ou então, ao final do filme e nas cenas pós créditos. Eu também vibrei e também, é claro, aplaudi. E o coração estava feliz. No fundo era a menina de 8 anos que estava lá, me senti exatamente assim. Uma época ainda com os meus pais, sem maiores preocupações, uma época boa, de uma menina que sonhava trabalhar com artes um dia. E que acabou trabalhando.
No cinema, nas duas vezes que assisti, observei a plateia, pessoas com mais de 40 anos (a grande base dos fãs), famílias com os seus filhos, jovens curiosos para assistir o filme deste herói que está movimentando discussões pela internet.
O elenco de Mestres do Universo
Todos os atores estão muito bem no filme, porém, pra mim, o grande destaque vai para Nicholas Galitzine que interpreta Adam e He-Man. Ele soube, como ninguém, trazer as nuances do personagem. Só que diferente da animação da década de 1980, há uma mescla maior entre Adam e He-Man, pois as características de Adam, inclusive como ele se sente vulnerável perante os acontecimentos são notadas também quando ele se transforma em He-Man.
Portanto, achei muito legal não apresentarem ao público, um herói já pronto, quase como um deus, mas sim, um homem conhecendo ainda os seus poderes e aprendendo a conviver com eles.
Isso é muito do que eu sinto, por exemplo, ao assistir aos filmes do Homem-Aranha. O herói está ali, mas a vulnerabilidade do homem também está.
E é disso que se trata Mestres do Universo. Inclusive há uma parte no filme que aborda sobre como um herói deve ser, não só músculos, mas alguém que é compreensivo, que tem empatia e humanidade (palavras estas que estão no filme). E para aqueles que acham que isso não é o He-Man original, é e muito!! Lembrando que, a cada episódio da animação existia os famosos conselhos do He-Man.
Camila Mendes entrega uma Teela como deve ser, uma mulher corajosa e que luta bravamente por Etérnia. Antes de estrear o desenho da She-Ra, era a Teela que para as meninas representava uma mulher com garra e lutadora. Na verdade, depois do He-Man, Teela sempre foi minha personagem favorita. E gostei como o filme abordou o suposto interesse amoroso de He-Man por ela, fato que acontecia no desenho e que deixava a gente sempre em suspense se os dois iriam finalmente formar um casal um dia.
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Aproveitando a experiência cinematográfica
Com a estreia de Mestres do Universo, eu nunca havia visto tanta discussão nas redes sociais sobre questões como: se o filme vai ter sequencia, se irá se pagar, etc. Desde quando a gente se preocupa com isso? Sinceramente, eu quero é ter a experiência de ir ao cinema e de me divertir. Adoraria ver uma sequencia do filme, duas ou mais. Porém, estou aproveitando este momento para apenas assistir uma história e me divertir no cinema.
E como falei anteriormente, o que eu notei na plateia foi um público em êxtase, aplaudindo e se divertindo, ainda bem, como deve ser quando assistimos uma obra fílmica.
Sinceramente, já estou bem exausta de filmes com heróis soturnos e suas histórias exaustivas, se levando a sério demais. Afinal, filmes de super-heróis deveriam ser pra gente se divertir e não ser um filme de dramalhão. Acho que esse formato já ficou velho e está cansativo demais. Portanto, Mestres do Universo está aí para provar que o cinema pode ser divertido ainda.
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Mestres do Universo. Um filme muito especial
Como comentei anteriormente, dá pra sentir muito claramente em Mestres do Universo, que Travis Knight sabia o que estava fazendo ao contar a história de He-Man e os Mestres do Universo.
O filme, apesar de mais de duas horas de duração passou extremamente rápido. Senti como se fosse um episódio do desenho mais alongado.
Uma parte que me marcou muito no filme, é quando a gente descobre que Adam deu um nome para cada herói ou vilão. Ou seja, Mekaneck, Fisto, Aríete, Mandíbula, são todos nomes que Adam quando criança tinha criado para nomear os heróis e vilões da sua terra natal. Ele desenhava cada um para não esquecê-los e lhes dava estes nomes. Que genial essa parte do roteiro! A visão da criança, assim como nós, quando víamos os desenhos, brincávamos ou desenhávamos os personagens quando também éramos crianças. Nessa hora eu me emocionei no cinema.
Ah! E tem muitas referências ao desenho original, fiquem ligados! Como também ao filme de 1987.
E também, não saiam antes das três cenas pós-créditos. Duas em especial, trazem dois personagens icônicos do desenho e especialmente uma, revela algo para uma possível sequencia. Tomara!! Aguardando ansiosamente! Mas se não acontecer, a criança que ainda habita em mim já ficou muito feliz de rever o seu herói favorito da infância. Foi lindo! Obrigada a todos os realizadores por essa obra que os fãs irão guardar pra sempre no coração.
